Sunday, 20 December 2009



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IX


meu coração é um pórtico partido

dando excessivamente sobre o mar.

vejo  em minha alma as velas vãs passar

e cada vela passa num sentido.


um soslaio de sombras e ruído

na transparente solidão do ar

evoca estrelas sobre a noite estar

em afastados céus o pórtico ido ...



fernando  pessoa

 passos da cruz  in  poemas




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Sunday, 29 November 2009




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There is a solitude of space

A solitude of sea

A solitude of death, but these

Society shall be

Compared with that profounder site

That polar privacy

A soul admitted to itself -

Finite infinity.



Emily Dickinson






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Saturday, 21 November 2009

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ouço a neve cantar


ouço a neve cantar

puro êxtase de luar e ar

canta num fantástico campo

de

puro

branco



canta em direcção ao mar


Maria Azenha

in a chuva nos espelhos






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Sunday, 15 November 2009

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O belo espírito dos ares sopra no búzio,
avermelhado e esguio, distribui com a mão
o som que vai e vem
e voa, tão diferente dos pássaros das margens.

O meu amigo, o espírito dos ares, gosta de dormir ali
nos salgueiros, e já com ele aprendi isto e
aquilo, só não aprendo com ele
a repousar assim tão leve, encostado apenas à orla

da noite e afinal sempre na luz,
para logo acordar com olhos grandes de criança.
Como hei-de ser igual ao meu amigo -
só com o amor, sem dormir, à chuva?




Johannes Bobrowski, Como um Respirar,
tradução de João Barrento, Edições Cotovia, 1990







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Wednesday, 4 November 2009

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This is love: to fly toward a secret sky,

to cause a hundred veils to fall each moment.
First, to let go of live.
In the end, to take a step without feet;
to regard this world as invisible,
and to disregard what appears to be the self.

Heart, I said, what a gift it has been
to enter this circle of lovers,
to see beyond seeing itself,
to reach and feel within the breast.



The Divani Shamsi Tabriz, XIII




rumi









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Friday, 30 October 2009




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Para ver o mundo num grão de areia



E o céu numa flor silvestre,


Segura o infinito na palma da tua mão


E a eternidade numa hora.






William Blake - (1757-1827)








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