explicação dos espelhos
e multipliquem os espelhos que cantam
tenho o coração escondido para que ninguém o veja
conheço a chuva dos olhos e encosto o ouvido
aos joelhos
dou-te uma escada construída por relâmpagos
uma escada feita de folhas e de cântaros para
matar a sede
e uma pomba dentro do poema
para que possas morrer
cantar um rumor
no
fogomaria azenha
in A chuva nos espelhos**
ascensão
O oceano ilimitado do cosmos
adensa-se no rumo das descobertas.
Nos mares do universo,
os planetas são as costas a atingir.
As epopeias não terminaram!
Ainda há rotas a cruzar
e mundos a descobrir.
(...)
Ascender!
Eis a essência.
Ou a necessidade!
Vicente Ferreira da Silva
in Metafísica (poética)**
**
doce sal de prata
... entrei no mar com pegadas de fio de prata ...para mergulhar nas doces e calmas águas,a vontade de te abraçar...doce melodia da alma!*h**
*
... em pequenas e suaves gotas de ternura ....
chove!
*h
fotografia retirada da net*
... e
E por vezesE por vezes as noites duram mesesE por vezes os meses oceanosE por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmosE por vezesDavid Mourão-Ferreirafotografia retirada da net
o mar
Antes que o sonho (ou o terror) tecera
mitologias e cosmogonias,
antes que o tempo se cunhasse em dias,
o mar, sempre o mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem é o violento
e antigo ser que destrói os pilares
da terra, e é só um e muitos mares,
e abismo e resplendor e azar e vento?
Quem o olha vê-lo pela vez primeira,
sempre. Com o assombro tal que as coisas
elementares deixam, as formosas
tardes, a lua, o fogo da fogueira.
Quem é o mar, quem sou? Sei-o no dia
que virá logo após minha agonia.
poema de Jorge Luis Borges
trad.: José Bento
fotografia retirada da net
***